Um olhar sobre morar em Natal
- Gisele Marques

- 15 de fev. de 2020
- 3 min de leitura
Parte 1: Minha chegada e primeira necessidade (locomoção/trânsito)

Cheguei por essas terras em 2007 após passar em um concurso público para o Estado da Paraíba.
Num primeiro momento, literalmente de mala e cuia, aceitei o convite para ficar na casa de uma amiga de Universidade, que cursei lá em Santa Maria no RS. E a única certeza que eu tinha é que Natal era a cidade onde iria estabelecer a nova moradia da minha família, no caso, eu, meu esposo e nossa filha. Algo que decidimos juntos quando sai do RJ, onde eles ficaram enquanto meu esposo batalhava por uma transferência e tentava terminar a Universidade e eu aqui, procurava casa, escola e conhecer a nova cidade.
Então a primeira necessidade que senti foi de comprar um carro, pois era complicado depender do transporte público e dos transportes intermunicipal e interestadual.
Além disso, Natal não era e ainda não acho uma cidade voltada para pedestres e ciclistas. O que quero dizer com isso é que exceto nas principais avenidas, que neste caso, cito a Av. Engenheiro Roberto Freire, Salgado Filho e continuações, Av. Rio Branco, a Av. Costeira, assim como o bairro Petrópolis, a cidade infelizmente não tem uma boa estrutura de calçadas e quando existem, são muito irregulares e sem continuidade, sempre penso nos cadeirantes nessa questão, muito complicado. Outro aspecto que também dificulta quem assim como eu gosta de andar a pé é a questão do sol forte e pouca sombra de árvores para amenizar.
Ciclovias, bem recentemente começaram a dar o ar da graça na cidade e de apesar de já avistar muitos ciclistas, eu inclusive, ainda está bem atrasada neste ponto, João Pessoa, sua vizinha já considero bem melhor nesse aspecto.
Quanto ao transporte público, tanto os ônibus quanto as paradas são em sua maioria o mínimo aceitável, apesar de ser uma cidade turística e com elevada temperatura o ano inteiro, não há opção de ônibus com ar condicionado, assim como paradas climatizadas, só tenho conhecimento de uma na cidade. O que leva o pessoal aqui, no caso principalmente de turistas, a utilizar bastante os aplicativos como o Uber e/ou alugar veículos.
No transporte intermunicipal e até mesmo no interestadual também não é lá muito melhor, como inicialmente precisei ir de ônibus para o meu trabalho no interior da Paraíba, o ônibus que eu pegava, digamos com o trecho mais direto, era velho e sem ar condicionado e fazia diversas paradas no meio do caminho, muitas no meio da estrada mesmo, o famoso pinga-pinga, a melhor opção que encontrei na época foi pegar 2 ônibus, um Natal – João Pessoa, e outro João Pessoa interior da Paraíba, nessa situação conseguia os dois com ar condicionado. O que é muito comum aqui é ter transportes alternativos para esses casos como vans e carros mesmo, inclusive eles param nas paradas onde o pessoal normalmente pega o ônibus para oferecer a viagem, já precisei utilizar esses serviços, quando foi indicação de algum conhecido fui tranquila, mas também já precisei ir com alguns que não conhecia e confesso que não me senti muito segura.
Bem, essas são algumas partes meio ruins, agora vamos para a parte boa?
Depois que adquiri o carro, consigo ir de Natal até a cidade onde trabalho na Paraíba em duas horas e vinte minutos, o que acho bem tranquilo porque só faço essa viagem uma vez por semana, pois como trabalho em regime de plantão, durante estes dias eu fico por lá, não pego trânsito algum no trajeto, aliás, acho que em Natal não há trânsito em relação às grandes capitais, tem alguns momentos com maior fluxo, na primeira hora da manhã e no final da tarde, mas normalmente flui não ficando parado muito tempo.
As estradas são boas, a BR 101 de Natal para João Pessoa é toda duplicada e sem nenhum pedágio! E as estradas para o interior ultimamente também estão em boas condições, embora em épocas mais chuvosas tendem a ficar esburacadas.
Normalmente estaciono o meu carro na rua quando vou trabalhar no interior ou se preciso ir em qualquer lugar em Natal também e não tenho dificuldades em encontrar vagas, não há parquímetros e os flanelinhas não cobram preços abusivos, acho tudo muito tranquilo, também nunca tive problema relacionado a segurança, neste quesito, é claro, que sempre tenho todos os cuidados e atenção básicos como em qualquer outro lugar.
E para finalizar com um ponto bem bacana é que vejo com frequência o respeito de motoristas ao dar preferência na faixa de pedestres.
Bem, acho que é isso e espero ter ajudado quem está pensando em vir para cá, apesar de ter apontado os pontos que considero negativos, o intuito é de quem gostaria de ver esses pontos problemáticos resolvidos com o tempo para que essa cidade que já é do meu coração seja ainda melhor para todos.

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